
RESGATANDO A HISTÓRIA: TALISMÃ SE INSPIRA EM SANTA CRUZ E GOIÁS VELHO PARA PRESERVAR A MEMÓRIA"
Reportagem: ASCOM/RÁDIO TALISMÃ FM 87,8
Imagem: ASCOM/RÁDIO TALISMÃ FM 87,8
22/02/2026 - 11:00
Em uma viagem histórica, a Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Civil de Talismã, com apoio da Associação Anjos da Selva, visitou as cidades de Santa Cruz de Goiás e Goiás Velho, mergulhando nas profundezas da história e cultura do estado de Goiás.
A equipe foi recebida com os braços abertos em Santa Cruz de Goiás, que foi fundada em 27 de agosto de 1729 por Bartolomeu Bueno da Silva, é uma das cidades mais antigas e históricas do estado, famosa por ter sido capital provisória entre 1839 e 1870, onde visitou a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Santa Cruz e a Casa de Câmara e Cadeia de Santa Cruz, construída em 1736, que infelizmente está interditada e corre o risco de desabamento. "Foi emocionante ver de perto a história que se desenrolou nesses lugares, mas é lamentável ver um patrimônio tão importante em risco", disse Sueli Mota de Oliveira Lopes, membro da equipe. "É um fato lamentável que um local tão histórico esteja em perigo, é importante que sejam tomadas medidas para preservá-lo", acrescentou.
A Antiga Casa de Câmara e Cadeia é o Edifício histórico que funcionava como sede do governo e prisão é também um exemplo da arquitetura colonial brasileira e foi um importante centro de poder e administração na época. Hoje, é um símbolo da rica história da cidade e um lembrete da importância da preservação do patrimônio cultural.
Em seguida, a equipe seguiu para Goiás Velho, antiga capital do Estado de Goiás, que surgiu com a chamada corrida do ouro. Foi fundada em 1727, por Bartolomeu Bueno da Silva Filho, com o nome de Arraial de Sant’Anna. Tornou-se Vila Boa de Goiás, em 1739, em homenagem a Bartolomeu Bueno e, ao mesmo tempo, aos índios Goyazes, seus primitivos habitantes. Uma cidade que é Patrimônio Mundial da UNESCO e que respira história por todos os lados.
Lá, visitaram:
1 - Santuário Nossa Senhora do Rosário, construída em estilo colonial em 1761, porém demolida e reconstruída em 1930 com estilo neogótico em sua fachada de pedras, fazendo-a se diferenciar das demais igrejas da cidade! Em seu belíssimo interior, destacam-se as belas pinturas do Frei Nazareno Confaloni.
2 - Chafariz de Cauda da Boa Morte construído em 1778, visava dividir o abastecimento de água com um chafariz já existente, o da Carioca. Se chama assim porque seu aqueduto é em formato de cauda. Foi construído em alvenaria de pedra com detalhes de pedra-sabão, e tem um pátio interno.
3 - Museu das Bandeiras que foi construído no antigo edifício de Câmara e Cadeia, de 1766. Observa-se pelas paredes grossas e pelas janelas com grades muito bem protegidas! ornou-se museu aberto ao público em 1954, com a missão de preservar, pesquisar e comunicar a memória nacional da ocupação do centro-oeste do Brasil – que foi feito pelos bandeirantes, e daí o nome “Museu das Bandeiras“.
"É incrível pensar que estamos pisando em solo que foi testemunho de tantos eventos importantes na história do Brasil", afirmou Sueli Mota de Oliveira Lopes, apos escalar as escadarias do Santuário Nossa Senhora do Rosário.
É importante saber que tudo começou em 1726, quando os bandeirantes Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, e seu filho, Bartolomeu Bueno da Silva Filho, descobriram ouro na região. A descoberta atraiu muitos colonos e a cidade foi fundada com o nome de Arraial de Sant'Anna. Durante o período colonial, Goiás Velho foi um importante centro de mineração e comércio. A cidade foi planejada com ruas retas e praças amplas, refletindo a influência portuguesa. Em 1748, a cidade se tornou a sede da Capitania de Goyaz, atraindo muitas famílias importantes.
Mas a viagem não foi apenas uma jornada no passado. A equipe também conheceu:
A história de uma das fazendas que utilizava mão de obra escrava, incluindo indígenas Avá-Canoeiro capturados no município de Peixe na Ilha do Tropeço e arredores, sendo levados para Goiás Velho. Lá, eram aprisionados e submetidos a tratamentos desumanos. A Fazenda Boa Vista era uma das principais propriedades rurais da região e estava envolvida na exploração de terras e recursos naturais. A propriedade é um local histórico que remonta ao século XVIII. Originalmente, a fazenda tinha centenas de escravos que trabalhavam em garimpos. Ela também utilizavam praticas cruéis de torturas contra seus escravos e escravas, como exemplo: as mutilações (corte do nariz, orelha, quebra dos dentes e castração homens e mulheres sem uso de anestesia).
A castração do escravo era um procedimento cruel e desumano, realizado sem anestesia e com instrumentos rudimentares.
1. Preparação: O escravo era amarrado a uma mesa ou a um poste, com as pernas abertas e os órgãos genitais expostos.
2. Instrumentos: O instrumento mais comum utilizado para a castração era um facão ou uma faca afiada, que era usada para cortar os testículos ou o cordão espermático.
3. Cortamento: O cortamento era feito com um movimento rápido e brutal, e o escravo era deixado a sangrar.
4. Cauterização: Em alguns casos, o ferimento era cauterizado com um ferro quente para estancar o sangramento.
5. Tratamento: O ferimento era tratado com substâncias como óleo de rícino, mel ou outros produtos para promover a cicatrização.
A castração podia ser feita de diferentes maneiras, incluindo:
- Orquiectomia: remoção dos testículos.
- Vasectomia: corte do cordão espermático.
- Emasculação: remoção dos órgãos genitais masculinos.
A castração era um procedimento extremamente doloroso e perigoso, que podia levar a complicações graves, como:
- Infecção: o ferimento podia se infectar, levando a doenças graves.
- Hemorragia: o sangramento podia ser intenso e levar a choque ou morte.
- Dor crônica: o escravo podia sofrer de dor crônica e incapacitante.
- Morte: a castração podia levar a morte, especialmente se não fosse feita em condições sanitárias adequadas.
CASTRAÇÃO DA ESCRAVA:
As mutilações genitais em escravas no Brasil colonial e imperial eram realizadas de maneira brutal e desumana.
1. Instrumentos: As mutilações genitais eram realizadas com instrumentos como:
- Facas afiadas
- Tesouras
- Lâminas de metal
- Instrumentos de metal quente
2. Tipos de mutilação: As mutilações genitais incluíam:
- Clitorectomia: remoção do clitóris;
- Infibulação: sutura da vagina;
- Excisão: remoção de parte ou toda a vulva.
3. Procedimento: O procedimento era realizado sem anestesia e com pouca ou nenhuma higiene. A escrava era amarrada e imobilizada, a uma mesa ou a um poste, com as pernas abertas e o instrumento era utilizado para realizar a mutilação.
4. Consequências: As consequências das mutilações genitais eram graves e incluíam:
- Dor intensa
- Sangramento excessivo
- Infecção
- Lesões permanentes
- Problemas de saúde a longo prazo
É importante lembrar que a castração de escravos e escravas é uma prática cruel e desumana, que é condenada pela comunidade internacional.
Valendo ressaltar que as escravas e escravos no Brasil colonial e imperial sofriam diversas formas de mutilações, incluindo:
1. Cortamento de orelhas: as orelhas eram cortadas como punição por supostas faltas ou desobediências.
2. Cortamento de nariz: o nariz era cortado como punição por supostas faltas ou desobediências.
3. Cortamento de lábios: os lábios eram cortados como punição por supostas faltas ou desobediências.
4. Quebra de dentes: os dentes eram quebrados como punição por supostas faltas ou desobediências.
5. Mutilação genital: as escravas podiam sofrer mutilação genital, incluindo a remoção do clitóris ou a sutura da vagina.
6. Marcas de ferro quente: as escravas eram marcadas com ferro quente como forma de identificação e punição.
7. Açoitamento: as escravas eram açoitadas com chicotes ou outros instrumentos, o que podia levar a lesões graves e mutilações.
Essas mutilações eram frequentemente realizadas como forma de punição, para controlar a população escrava e para demonstrar o poder e controle dos senhores sobre as escravas.
Todas estas formas brutais de torturas eram realizadas na Fazenda Boa Vista que é uma propriedade privada e não é aberta ao público para visitação. No entanto, a fazenda ainda mantém algumas características originais, como a casa grande e as ruínas de antigas instalações como as senzalas que serviam como mecanismo de dominação baseada no medo e na violência, sendo frequentemente vigiadas e trancadas..
A fazenda está localizada em uma área de preservação ambiental e é considerada um importante patrimônio histórico e cultural do estado de Goiás. Embora não seja possível visitar a fazenda, é possível aprender sobre sua história e importância através de fontes históricas e instituições locais.
"É importante lembrar da nossa história, mesmo que seja dolorosa, para que possamos aprender com ela e construir um futuro melhor e para isto criamos o Projeto Resgatando Nossa Historia", disse o secretário de Meio Ambiente e Defesa Civil de Talismã, João Carlos Lopes.
A experiência inspirou a equipe a modernizar o Museu Benjamin Fiore, em Talismã, com uma abordagem mais interativa e diversificada, incluindo áudio e vídeo, para apresentar a história e a cultura do município.
"Estamos ansiosos para compartilhar essa experiência com a população de Talismã e mostrar a riqueza da nossa história e cultura", disse o secretário.
Para mais informações sobre o projeto, entre em contato com a Secretaria de Meio Ambiente e Defesa Civil ou com a Associação Anjos da Selva por meio do whatsap 63 9 84731148 - Falar com João Carlos Lopes.
























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