
FALTA DE CHUVA PREJUDICA AS LAVOURAS DE SOJA E MILHO NO TOCANTINS
ASCOM/RAIZ DA TERRA
31/03/2016 - 10:00
A falta de chuva antecipou a maturação da soja no Tocantins. Na região Centro-norte do Estado, a produtividade das lavouras está sendo menor que o esperado. Folhas amareladas no meio das lavouras indicam que as plantas estão morrendo por falta de água.
A região Centro-Norte do Estado é conhecida pelas chuvas abundantes, mas não foi isso que se viu este ano. A seca está afetando os quase todas as áreas destinadas ao cultivo do grão. A falta de chuva e as altas temperaturas encurtaram o ciclo da soja, com isso, as plantas tiveram um período menor de enchimento dos grãos e aí as vagens ficaram leves, quase vazias, trazendo queda na produtividade.
A agrônoma Karina Amadeu Marson explica que em algumas áreas onde o solo é mais arenoso, a retenção de água é menor, por isso, as plantas sofrem mais com o estresse hídrico.
Karina ressalta: o calor em excesso também prejudica a safra da soja e milho, a produtividade deve cair mais, pois muitos produtores ainda estão colhendo e outros ainda vão colher, a historia de uma safra recorde é apenas um sonho.
A Fazenda Bom Jesus (Talismã - TO) plantou aproximadamente 1.200 hectares de milho. No local não chove há mais de 20 dias e o produtor já calcula as perdas.
Na Fazenda Lagoa Grande (Peixe –TO) são mais de mil hectares de soja. A colheita começou na segunda quinzena de março e já está na reta final, onde se colhia 70 sacos/ha., hoje colhe 40 sacos/ha. Ela teve que antecipar os trabalhos porque a soja amadureceu mais cedo. "Ela maturou antes do tempo previsto e isso não encheu o grão como deveria", diz o proprietário.
Nos Estados vizinhos, Pernambuco, Maranhão e Bahia, a falta de chuva também está causando problemas. O impacto maior deve acontecer a partir do mês de junho quando termina de fato as colheitas.
Perdas totais:
Diversas fazendas tiveram perda total de produção, os agricultores foram pegos de surpresa pelo clima desfavorável. “Tenho 48 anos e nunca vi algo semelhante, conta João Carlos. “Às vezes, a chuva atrasava, mas depois normalizava.”
Safra atrasada:
Segue a lista dos municípios percorridos pelo Presidente do Grupo Raiz da Terra e a situação de cada um deles:
Araguaçu é composto por 516.794 hectares. Área geográfica de 5.167,94 km² (1.995,35 sq mi), sendo que 15.000 hectares de área plantada em lavoura de soja, milho e outros, mas devido à estiagem foram plantados aproximadamente 14.500 hectares. Calculam-se o prejuízo médio de 60% dos grãos.
Alvorada é composto por 121.217 hectares. Área geográfica de 1.212,17 km² (468,02 sq mi), sendo que 38.000 hectares de área plantada em lavoura de soja, milho e devido à estiagem foram plantados aproximadamente 25.000 hectares. Calculam-se o prejuízo médio de 58% dos grãos.
Talismã é composto por 215.690 hectares. Área geográfica de 2.156,90 km², (832,78 sq mi), sendo que 35.000 hectares de área plantada em lavoura de soja, milho e devido a estiagem foram plantados aproximadamente 25.000 hectares. Calculam-se o prejuízo médio de 58% dos grãos.
Peixe é composto por 529 120 hectares. Área geográfica de 5.291,208 (2042,94 sq mi), sendo que 45.000 hectares de área foram utilizadas pelos agricultores, mas devido à estiagem uma parte dos agricultores não irão colher em aproximadamente 6.750 hectares na safra 2015 – 2016. Calculam-se o prejuízo médio de 54% dos grãos.
Rio dos Bois é composto por 84.506 hectares. Área geográfica de 845,06 km²(326,28 sq mi), sendo que 18.000 hectares de área plantada em lavoura de soja e milho, foram plantadas em 100%. Calculam-se o prejuízo médio de 85% dos grãos.
Fortaleza do Tabocão é composto por 62.156 hectares. Área geográfica de 621,56 km² (239,99 sq mi), sendo que 14.000 hectares de área plantada em lavoura de soja e milho e foram plantadas em 100% delas. Calculam-se o prejuízo médio de 75% dos grãos.
Tupirama é composto por 71.220 hectares. Área geográfica de 712,20 km² (274,98 sq mi), sendo que 20.000 hectares de área plantada em lavoura de soja e milho e foram plantadas em 100% delas. Calculam-se o prejuízo médio de 75% dos grãos.
Guaraí é composto por 226.816 hectares. Área geográfica de 2.268,161 km² (875,74 sq mi), sendo 20.120 hectares de área plantada com lavoura de soja, milho e arroz. Calculam-se o prejuízo médio de 82,5% dos grãos colhidos no município de Guaraí.
O prejuízo ainda pode sofrer uma variação até o final das colheitas, pois muitas propriedades estão com lavouras em diversos estágios. Em situações normais um hectare de área plantada de soja produz em media 50 a 60 sacas por hectares e 90 a 120 sacas de milho e arroz por hectares, isto depende do investimento na área principalmente do cenário climáticos favorável.
“O sentimento geral entre os produtores é de desânimo”, conta o produtor, que iniciou a colheita no dia 22 março. “Nunca vi um ano que não chovesse pelo menos a media durante a safra. Agora, o acumulado de chuvas na minha fazenda é minimo”, diz. “As chuvas foram muito mal distribuídas e, onde choveu, a água evaporou por causa do calor.”
Endividamento:
Somado à seca inesperada, o custo de produção é recorde por causa da valorização do dólar e o preço da soja em dólar da soja está menor patamar. Por isso, os agricultores vivenciam um sério problema de endividamento entre os produtores de soja e milho. Quem colher bem não vai conseguir pagar a conta. Então imagine como está quem teve perda total na lavoura em que a área é arrendada. O produtor não quer dar calote, mas vai ter de renegociar contratos e prazos.
O Presidente do Grupo Raiz da Terra, João Carlos Lopes, esteve percorrendo o Estado do Tocantins a convite dos municípios, para produzir um Laudo Técnico, que juntamente com o Decreto de Situação de Emergência, decretado pelos prefeitos, servirá de apoio nas negociações das dividas.
Diversos municípios do Estado fez o convite a João Carlos, mas a responsabilidade do trabalho foi repassada a Defesa Civil Estadual, a qual passou a dar uma atenção ao caso, mais informações acesse o link da Defesa Civil Estadual: http://defesacivil.to.gov.br/.
Links de apoio:
http://www.talisma-to.com.br/jornalismo_arquivos/reportagens-2016/seca-producao-de-gaos-2016.htm
http://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/economia/pedro-afonso-decreta-situa%C3%A7%C3%A3o-de-emerg%C3%AAncia-devido-a-estiagem-1.1041311
http://www.projetosojabrasil.com.br/produtores-do-tocantins-calculam-prejuizos-com-a-seca/
http://www.projetosojabrasil.com.br/seca-causa-perdas-de-ate-100-em-areas-do/
http://www.norteagropecuario.com.br/noticias/1374-seca-no-sudeste-do-tocantins-aumenta-custo-de-produ%C3%A7%C3%A3o-em-20.html
Ver também:
http://afnoticias.com.br/seca-de-2015-no-sudeste-do-tocantins-foi-pior-que-em-2014-para-5909-dos-prefeitos/


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